CAC40 Semanal – 07/01/2011

Janeiro 7, 2012 Deixe um comentário

– MA 40 e 10 a aproximarem-se (200 e 50 no diário) mas ainda em fase descendente.
– LTA fraquinha a desenvolver-se que a ser quebrada representará a continuação das descidas e um teste aos minimos de 2009.

Categorias:Análises, CAC40

Documentário – Europe at the Brink

Janeiro 6, 2012 Deixe um comentário

Um bom documentário do Wall Street Journal que resume a crise da dívida europeia. As suas origens, o seu alastramento e os desafios que ainda nos esperam…

In this documentary, Wall Street Journal editors and reporters examine the origins of Europe’s debt crisis and why it spread with such ferocity to engulf much of the continent and threaten the entire world.

Europe at the Brink

Djovarius: 2012 – Complexo período de transição – Análise anual

Janeiro 5, 2012 Deixe um comentário

Depois de uma longa inactividade neste blog fruto do trabalho, MBA e família, nada como começar o ano (sim, com algum atraso…) com as habituais resoluções de ano novo!

Como no ano passado, começo o ano com um artigo que  a meu ver vale sempre a pena perder tempo a ler e reler, o artigo anual do djovarius.

A todos, Feliz Ano Novo.

Chegámos a 2012, ano de mistérios, o qual para alguns é o ano do “fim do mundo”. Para os que acreditam que o mundo vai sobreviver, escrevo eu, como todos os anos. Para os que acreditam que os mercados vão manter-se, apesar de todas as crises, do jeito que sempre funcionaram, então vale a pena continuar atento, analisar e investir quando for caso disso, sem precipitações, até porque devemos continuar num clima de forte incerteza, a qual não é lá muito amigo dos investidores.

Uma coisa é certa: esta não é a primeira nem será a última crise das nossas vidas. Porém, ela é diferente porque afeta até um certo modo de vida com o qual nascemos e crescemos. À nossa volta, uma sensação de quase colapso económico. Como se não estivéssemos à beira do precipicio, mas sim já em queda à espera que algo nos possa segurar para que possamos à queda sobreviver. O Mundo que conhecíamos já não é (será) o mesmo. Até porque os pressupostos mudaram.
Tal como um negócio nos mercados pode ser fechado ou invertido devido à mudança dos pressupostos que a ele deram origem, também as nossas vidas (a sociedade) muda porque os seus alicerces tremem de alto a baixo. Pode não ser uma implosão, mas será seguramente um terramoto.

Está a fazer 4 anos sobre um ensaio em que preconizava, à época, uma grande alteração do eixo da esfera económico-financeira global, com a força a se transferir de Ocidente para Oriente. Hoje acrescento que também se pode incluir neste rol, do Centro para a Periferia, leia-se para os chamados mercados emergentes, independentemente dos pontos cardeais.
Esse movimento foi e é real, já estava em marcha, tendo-se ampliado cada vez mais nestes anos. Não há nada a fazer. Uns fizeram o trabalho de casa, os outros, quais cigarras no Verão, “adormeceram” à sombra dos gloriosos anos pós-Guerra Mundial e pós-guerra fria. A abertura dos mercados, a chamada Globalização fizeram o resto. Eles souberam desta beneficiar, encontrando o “caminho marítimo” para o enriquecimento. Outros não souberam interpretar as consequências das suas próprias decisões. O movimento em causa não se deve a nenhuma das atuais crises, antes se torna mais óbvio por conta delas.
É que aquilo a que hoje chamamos crise, não passa de uma consequência lógica da insanidade económico-financeira que vivemos a Ocidente. A negação das chamadas “bolhas”, a crença de que tudo se resolvia com mais e mais crédito, a esperança na infinita elasticidade desse mesmo crédito, com o beneplácito dos mercados e das autoridades de política monetária. Enfim, acrescentemos a mediocridade do pessoal político e já temos uma bela receita para o desastre.
Afinal, o mundo e os seus problemas não começaram hoje ou há quatro anos. Mas sempre gostámos de relembrar que há momentos que marcam comportamentos que têm consequências de longo prazo, ainda que não visíveis à partida.
A forma como se inflacionaram as massas monetárias e as dívidas públicas das maiores potencias mundiais foram, sobretudo a partir da década de noventa do século passado, as principais causas para aquilo a que se assiste hoje.
Voltemos contudo trinta anos no tempo. Depois de muitos anos de estagnação (a famosa estagnaflação) e pessimismo, o mundo ocidental encetava uma época de prosperidade. Os mercados acionistas atingiam um fundo de muito longo prazo e voltavam a se valorizar. Depois de um período de juros elevados para combater a subida de preços, os resultados foram visíveis. Uma queda forte da inflação (IPC) e um “pool” de poupanças capaz de gerar novos investimentos em várias áreas, situação que levou a uma gradual e sustentada descida de juros a todos os prazos.
O mundo em crise retomava a sua caminhada. Depois de anos de refúgio Ouro, os capitais voltavam a procurar ativos de risco. Não foi de admirar a forte valorização das “equities” entre 1982 e 1987, naquilo que foi um reajuste dos preços dos ativos à massa monetária recentemente criada. O PIB global voltava a dar fortes sinais, liderado pelos EUA, como quase sempre nos tempos da dita “guerra fria”. O chamado “crash de 1987” nem sequer teve o significado de outros semelhantes no passado. Parecia igual, mas não passou de um “glitch” técnico se analisarmos toda essa década de mercado. Já nos anos noventa, as recessões foram de menor importância. Bons os tempos em que as recessões eram apenas cíclicas, perfeitamente normais, como se de uma válvula de escape se tratassem. A verdade é que nada impediu mais uma década extraordinária para os mercados de títulos em geral, mesmo com algumas contrariedades que se apoderaram do sistema.
Mas é também nessa última década do século que se desencadeiam uma série de eventos que levaram a reações que teriam consequências nefastas nos tempos mais recentes e que ainda cá estão, sabe-se lá até quando.
Os EUA assumem um papel mais importante (pós-guerra fria) também nos mercados financeiros, intervindo tanto domesticamente como no exterior. Começa com a crise dos “Savings and Loans” no início da década, em que o FED intervém em conjunto com o Tesouro. A recessão interna de 1992, as garantias para as Brady Bonds (salvação financeira latino-americana), a crise Tequila dos vizinhos a sul, enfim, a crise Russa, a do Real Brasileiro, a crise Asiática, que é aliás muito semelhante à crise atual de alguns Estados da zona Euro, enfim, até o Y2K (lembram-se das asneiras a propósito do “bug” do milénio?). A verdade é que há um fio condutor entre estes eventos, o qual é muito falado ano após ano, aqui no Caldeirão de Bolsa. É o aumento da liquidez, situação que num primeiro momento é bem vista porque significa uma resposta às mencionadas crises. No caso do bug do milénio foi ainda mais espantoso, já que houve uma antecipação por parte do FED a uma crise que nunca chegou a ocorrer. A verdade é que as cedências de liquidez não tiveram grande influência na Economia real nem sequer nos índices de preços ao consumidor, razão pela qual foram consideradas um sucesso. O problema foi a perpetuação de “bolhas” em diversos mercados (como um virus que procura espaço vital, esgotados os recursos do espaço anterior). E seria já na nova década que a liquidez e as “bolhas” seriam mais visíveis e mais catastróficas para o investidor médio. Foi a das Telecom/Internet/Nasdaq, foram novas injeções de liquidez na sequência de 11/09/01, a crise Argentina, a entrada do FMI no Brasil, foi a bolha dos mercados emergentes, foi, enfim, já entre 2004 e 2008, a mãe de todas elas, a “bolha” do crédito, confundida erradamente nos “media” como crise do “sub-prime”, já que este último é apenas um aspeto da transformação do crédito em produtos derivados, fora do sistema comum, facto que revelou um triste “shadow banking system” que coloca em causa o regular funcionamento do mercado livre e aberto.

É devido a estas condições que muitos autores falavam de um “crash”, como foi o caso do célebre prof. Roubini. Era inevitável que acabariam por acertar em cheio. O problema prendeu-se com o “timing”. Acertar em algo, com uma diferença de cinco anos, por exemplo, tem tanto valor como não acertar. Mas, se se tratar de um espaço de tempo inferior a dois anos, já podemos falar de alguma credibilidade.
Porque estes autores estavam condenados a acertar, nem que fosse num “timing” errado. Pela mesma razão que leva qualquer analista a ser pessimista nesta fase: uma diferença importante entre a liquidez criada e a riqueza efetivamente produzida. No passado, a elevação da massa monetária acima do PIB nominal já seria o suficiente para deixar os Bancos Centrais de “cabelos em pé”. Hoje, verificamos que o aumento da liquidez e do crédito nem sequer influenciaram o PIB real de muitos países. Esse foi um dos problemas de fundo. Uma “bolha” de crédito, que tivesse, ao menos, o condão de promover um crescimento económico miraculoso, poderia ser aceite e gerenciável. Mas a verdade é que os poderes públicos e as entidades privadas, nos EUA e na velha Europa, endividaram-se a ritmo não compatível com o “output” de bens e serviços entretanto gerado. Dir-se-à que não adianta tentar alterar os ciclos económicos e evitar as recessões. Culpa dos políticos? Sim, mas também da “populaça” que vota em quem promete “pão e circo”, algo que, ao fim de um certo tempo, não se pode mais cumprir, sob pena de uma implosão económica. Infelizmente, todo este “sistema” poderia ter explodido muito antes, mas foi aqui que entrou em campo outro jogador. O bloco China / tigres asiáticos (que entretanto aprenderam com o seu próprio colapso de fim dos anos noventa) alterou muitos dos pressupostos antigos. Sobretudo os Chineses, que não tiveram quaisquer problemas em absorver o excesso de liquidez em dólar, aceitando papel-moeda (Reserva) em troca dos seus produtos e serviços, esterilizando o seu “superavit” estrutural, através da compra de títulos de dívida dos EUA. Mais recentemente, utilizaram as suas enormes reservas na aquisição de “commodities”, desfazendo-se assim do excesso de “papéis” em troca de ativos importantes para o seu próprio crescimento. O sistema funcionaria sempre bem, se a própria China fosse imune às “bolhas” que ajudaria a desenvolver. Porém, nuvens negras já estão no horizonte. Há um excesso de capacidade produtiva, os preços estão em elevação, a bolha do imobiliário já lá chegou e há o risco de arrefecimento e de fortes protestos sociais, por parte de quem já não consegue um lugar ao Sol. Já no ano velho, o mercado acionista de Shanghai revelou essas preocupações e corrigiu, já não sendo a primeira vez que isso sucede.

Em resumo, EUA com um crescimento abaixo do potencial, crise (não do EUR) na periferia da Europa Unida a ameaçar o continente, BRIC ainda imunes mas ainda assim a perder força, países ricos em matérias-primas de base a sorrirem (como Canadá ou Austrália), mas já a pensar no que fazer se as Economias dos restantes permanecerem em recessão, ambiente agitado no Oriente Médio e o Japão em desespero a emitir moeda a fim de a desvalorizar, tentando integrar a China num sistema de forex mais aberto, mais flutuante. Eis, pois, o Mundo complexo do início de 2012.
Para quem acreditar que o Planeta vai sobreviver ao dito fim do calendário Maia e que não teremos que procurar refugio numa espécie de Arca de Noé, fica pois uma boa notícia: há certas coisas no mercado que não mudam. E se há hoje um ambiente de tanto pessimismo, podemos acreditar que é exatamente nestas alturas que chegam ao fim os “bear markets”. Foi assim no início dos anos oitenta. Nessa altura, também o mundo ía acabar, nem que fosse através de uma guerra nuclear, a América Latina, outrora um milagre económico entrava numa crise de dívida sem solução à vista. Enfim, juros elevados deixavam o mundo capitalista em recessão, a quarta no espaço de uma década. Como vimos atrás, e contra ventos e marés, tudo isso marcaria o começo de tempos globalmente positivos para os mercados.
Será que a História se repete? Sim e não.
Sim, porque sempre que se pensa que o mundo está perdido, que o pessimismo está no auge, a realidade demonstra exatamente o oposto. Os mercados “dão a volta” quer em momentos de extrema euforia, quer na situação inversa. Daí que não seja de admirar que, em algum ponto entre 2012 e 2013, possamos assistir a um fundo de muito longo prazo. Sobretudo se o clima de negócios atingir um forte pessimismo, como espero, até porque deveremos voltar a entrar em recessão global, mais pronunciada nalguns lugares do que noutros e até a nenhuma recessão em várias Economias, mas que parecerá mau, já que, quem se acostumou a forte crescimento (acima de 5% ao ano) terá sempre uma má percepção da realidade em caso de crescimento anémico (como seria o caso de apenas 2%).

E… Não, porque desta feita, ao contrário de há 30 anos, o ciclo não pode ser alimentado por poupanças globais que simplesmente não existem. O excesso de crédito, que já está a ser contido, impede uma saudável progressão da Economia. Faltava mais poupança para mais e melhor investimentos. E se há regiões do Mundo em que isso não é um problema, a maioria não está em condições para crescer, a não ser devido à abundância de liquidez. Mas isso, como já vimos, não leva a nada de sustentável. E mesmo para os mercados, isso significa a formação de “bolhas”, a presença de forte volatilidade e euforia sem sentido.
O mercado que sobe de uma forma saudável é aquele que tem bases e que só atrai o homem da rua já em fim de ciclo positivo.
Independentemente de quando vamos assistir a um ciclo de longo prazo positivo na maioria dos mercados, uma coisa é certa: a desalavancagem das Economias com problemas estruturais é para continuar. A possibilidade de um ou mais calotes “parciais” ou “assistidos” serve apenas para viabilizar as Reformas estruturais, para que o doente não morra da cura. Mas, seguramente que a desalavancagem é para continuar, com menos crescimento e criação de emprego. Só por aqui se vê que é quase impossível uma euforia à moda antiga. E isso é bom, porque é muito mais saudável para os mercados, martirizados por anos e anos de uma certa destruição de valor e de capital. Diria, pois, que há que ser Touro, mas com cautelas, mas antes temos de ver se o urso “morre bem morto”, o que ainda não está provado.
No ano passado, a minha visão já era mais cética do que agora e as razões eram bem óbvias. Não era preciso ser génio algum para adivinhar problemas nas Nações mais endividadas, sobretudo na zona euro. Os quais poderiam, por “osmose” se estender até à Itália e Espanha. Nem era complicado adivinhar que o mercado haveria de ser seletivo em relação aos ativos bons para investir. Daí que quem não fugiu da zona Euro, fez uma rotação de investimentos. Isso é bem claro ao olharmos para o mercado de dívida pública: a palavra chave foi a rotação de investimento. Os mercados acionistas também viram semelhante situação acontecer ao longo do ano, embora de uma forma menos acentuada. Mais uma vez, o EUR perde face à maioria da divisas e até o USD parece querer brilhar. Ainda assim, as “commodities” continuam a ser “refúgio” contra o excesso de liquidez. Neste particular, há que dizer que nem se pode mais falar de problemas relacionados com o USD. Hoje, a liquidez vem também da moeda única e do sempre enigmático senhor Iene, o JPY – a tal divisa que alimenta (alimentou) o “carry trade”. Voltou a ocorrer e reflete a tendência de muitos anos pelas razões que já vimos acima.

E para este ano que agora começa ? Tudo leva a crer que o nervosismo vai perdurar numa primeira fase. O mercado já descontou muita coisa, mas ainda não terá descontado uma recessão global, caso a desalavancagem prove ser levada longe demais. O mais provável é que tal não seja assim, até porque em ano de Presidenciais nos EUA, haverá seguramente uma “ajuda” por parte da Reserva Federal. Não uma ajuda ao Presidente que procura a reeleição, mas uma “ajuda” às atividades da esfera financeira / económica. A fatura virá depois.
Após um certo tempo de incerteza, poderemos ter no segundo semestre, um melhor clima. O mercado já saberá quem é quem na Europa, como será a crise resolvida. O mesmo em relação à China, que deverá já ter sabido lidar com os seus próprios problemas. Novos problemas, novas soluções. O Mundo sempre teve a criatividade para sair dos seus problemas.

Vejamos, pois, uns gráficos. Desta feita não colocamos gráficos do mercado acionista norte-americano, pois isso pode ser visto em detalhe, todos os dias, nos tópicos respetivos. E ainda terminou o ano sem ganhar ou perder nada. E desses mercados, ficou a opinião acima. O mercado poderá fazer um forte arranque num clima de pessimismo, entre este e o próximo ano.

Obrigações do Tesouro (EUA) – 10 anos

Este é o título que mostra bem, como tem sido o mundo pós- Lehman Bros. Um mundo de aversão ao risco, ou pelo menos, aquilo que os investidores pensam que é a aversão ao risco. Ao contrário do que seria de esperar, títulos de dívida não têm um comportamento linear e provavelmente nunca terão. Só assim se explica que Economias fortes mas altamente endividadas “paguem” juros muito baixos em comparação com outras, por vezes menos endividadas, mas consideradas frágeis, pelo menos à luz das agências de notação, as mesmas que antes de 2008 não conseguiam ou não se interessavam em ver risco em lado nenhum. A verdade é que os EUA com ratio dívida/PIB a rondar os 100% é considerado refúgio para os investidores, sendo sempre um ativo a ter em conta. Isto significa que, caso o mercado acionista esteja em “stress”, pode-se ainda contar com as Bonds a 10 anos. O mesmo vale para o título Japonês, em caso de “stress” nos mercados asiáticos e para as “bunds” alemãs, no caso Europeu. Estas últimas têm tido um comportamento semelhante ao equivalente americano, dando razão a quem afirma que não há bem uma crise do Euro, mas sim e apenas de alguns dos seus integrantes. Só ficarei “bear” nestes títulos quando os mercados em geral atirarem para trás das costas a crise dos PIIGS.

Por falar em refúgio e aversão ao risco, vamos recuperar os gráficos de longo prazo do Franco Suíço e do Yene Japonês. Verifique-se como em 2011, o dólar atingiu mínimos históricos face a qualquer das outras divisas. O eterno “bear market” a que me referi uma vez. Isto mostra que até existem recursos para investimento financeiro de risco médio e elevado, mas que, de momento, esses recursos procuraram uma belo lugar para hibernar. O USD e os ativos norte-americanos podem ser um refúgio, mas quando se procuram Yenes e Francos, o mercado mostra o medo em todo o seu esplendor. Ainda assim, é este medo que dará origem, como sempre, ao próximo “bull market” de ativos que têm estado deprimidos. É tudo uma questão de renovado otimismo. Não sei quando ele virá, mas virá, como sempre. Não falo de altos e baixos do dia a dia, mas de uma mudança de percepção. Pode levar tempo, não quer dizer que ocorra já em 2012, como referi antes.

A esse propósito, fica também o gráfico do Ouro. Nada nos diz que este “bull market” que já completou uma década vai terminar. Dez ou doze anos parece muito, mas nada impede que dure ainda mais tempo. E enquanto os juros reais forem negativos, o Ouro tem tudo para continuar a brilhar. Mas atenção à liquidez. Se os Bancos Centrais forem restritivos na criação de moeda / cedência de liquidez, o Ouro pode até colapsar. Nessa altura, o dólar (cash) seria Rei.

No caso abaixo do petróleo, está mais sensível à recuperação da atividade das principais Economias do que os metais. Sendo uma “energia”, poderá ser afetado tanto pela geo-política, como pelo crescimento das Economias. Se porventura, a crise Europeia desse tréguas, poderíamos ver um teste à case dos 120 / 140 dólares por barril. Este ativo já andou por esses territórios antes da chamada crise do sub-prime.

Finalmente, o gráfico do EUR/USD, o ativo mais negociado, com maior giro financeiro da esfera financeira global. Aqui, também se debaterá no sítio próprio, mas a verdade é que o comportamento deste par mudou. Já é complicado falar-se no “velho Bull market” que começou em 2001 / 2002. Ainda assim, dado que o par ainda consegue, em certos momentos, mostrar alguma força, como sucedeu na última primavera, ainda é prematuro falar-se no inverso, num “bear market”. Este será confirmado se o par voltar abaixo de 1.20 e por lá permanecer. Isso será possível se só a Alemanha e alguns vizinhos conseguirem boas performances nos mercados e Economias, enquanto outros membros do EUR agonizam. Nesse caso, o mercado poderá penalizar mais estes últimos, mas em termos de divisa nada muda. A ajudar à festa, uma monetização disfarçada por parte do BCE: cede liquidez às entidades Bancárias do sistema, as quais, provavelmente, a utilizarão para investir em dívida pública de curto / médio prazo. Uma forma indireta de contornar o estatuto do BCE, ao mesmo tempo que aumenta o Balanço e tira valor notional ao EUR no mercado cambial. O que faria o EUR inverter e “explodir” em alta, em vez do caminho descendente atual? Uma forte recuperação dos mercados acionistas (e não só) ancorada num ambiente de maior otimismo e crescimento real. Seja como for, mesmo o chamado dollar index ainda só recuperou 13% em relação ao seu mínimo histórico em Março de 2008 – não se pode falar em território “bull”.

Em resumo: mais um ano extremamente difícil, de fortes incertezas, mas de onde sairão as fundações para um mercado mais saudável, contrariando as expetativas da maioria. Mas como sabemos, nos mercados, a maioria está do lado errado.

Obrigado

djovarius

Obrigado nós, Djovarius.

James Simons: Mathematics, Common Sense, and Good Luck

Janeiro 28, 2011 Deixe um comentário

Mathematics, Common Sense, and Good Luck: My Life and Careers

Worpress, WordPress que não deixas meter aqui videos em flash… Fica o link de uma hora de conferência muito interessante.

http://mitworld.mit.edu/video/870

As 6 estratégias primárias de trading de alta frequência

Janeiro 28, 2011 Deixe um comentário

Categorias:Análise Técnica

Em quem acreditar?

Janeiro 28, 2011 Deixe um comentário

Categorias:Humor

Método de Martingale

Janeiro 27, 2011 2 comentários

Após escrever sobre os métodos de sizing estranhei o método de Martingale, pois pareceu-me à primeira vista estranho duplicar a posição a cada perda, pareceu-me mesmo um caminho na direcção do abismo financeiro. Resolvi investigar um pouco mais sobre este método o que confirmou o meu primeiro feeling.
O método de Martingale era popular no século 18 e aplicado em apostas com 50% de hiposeses como lançar a moeda (cara/coroa) ou aposta na côr na roleta russa (preto/vermelho). O método consiste como já escrevi num post anterior em duplicar o sizing aquando uma perda, desta forma basta um sizing vencedor para que cubra todas as apostas anteriores. Tendo em conta uma situação aleatória significa que teremos 50% de chances de sair vencedores, a probabilidade de ter 2 apostas perdedoras é de 50%*50%=25%, a probabilidade de 3 perdedoras será de 12,5% e por aí fora tendendo para o 0. Logo poderiamos dizer que dado o tempo e o capital suficiente poderiamos sempre chegar a ganhos com uma estartégia de sizing deste género.

O problema está precisamente no tempo e capital suficiente, pois cada vez que perdemos a nossa posição irá aumentar exponencialmente. Imaginem que têem uma série de 9 maus resultados e que o vosso sizing inicial é de 100€ e o vosso capital é de 50.000€, o que resulta numa posição inicial de 0,2% do capital total:

1: 100€ (perda) = 49.900€ capital
2: 200€ (perda) = 49.700€ capital
3: 400€ (perda) = 49.300€ capital
4: 800€ (perda) = 48.500€ capital
5: 1.600€ (perda) = 46.900€ capital
6: 3.200€ (perda) = 43.700€ capital
7: 6.400€ (perda) = 37.300€ capital
8: 12.800€ (perda) = 24.500€ capital
9: 25.600€ (perda) = -1.100€ capital —-> Bancarrota!

Poderiamos ainda argumentar que a probabilidade de tal acontecer é de cerca de 0.20% (50%^10) mas desta forma estariamos a dizer que a trade 1 afectaria a trade 2 o que não é o caso! Podemos dizer que a probabilidade de ter 2 trades seguida a perder é 25% mas quando estivermos na trade 1 temos 50% de perder e quando tivermos na trade 2 temos novamente 50% de perder! Pior do que isso na trade 1 temos 50% de hipoteses de perder, enquanto na trade 9 temos novamente 50% de hipoteses de ter uma perda.

O maior problema com o Martingale é precisamente esse, mais conhecida como a Falácia do Jogador (Gambler’s Fallacy) que pode ser definida por uma expectativa errada de que o resultado de uma dada hipotese está relacionado com os resultados anteriores, o problema é que esses resultados são independentes. Mesmo que tenhamos tido 8 posições perdedoras, estas 8 posições em nada irá influenciar a 9ª tentativa, essa 9ª tentativa terá a mesma probabilidade de sucesso que a 1ª tentativa.

Também achei algo estranho o sistema contrário, o anti-Martingale, mas isso fica para outras núpcias.

Categorias:Análise Técnica, Bases